A Resolução CFMV nº 1690/26, publicada em 21 de janeiro de 2026, regulamenta formalmente o atendimento médico-veterinário domiciliar a animais de estimação de pequeno porte. A norma define o que pode ser feito, o que é proibido, as responsabilidades do profissional e as boas práticas exigidas.
Vale destacar o que o próprio texto deixa claro logo no Art. 1º: os atendimentos em estabelecimentos veterinários continuam sendo o "padrão-ouro", por oferecerem estrutura específica, maior segurança ao profissional e ao paciente, além de suporte técnico e de equipe. O atendimento domiciliar é uma modalidade permitida — não uma substituta da clínica.
Quando o atendimento domiciliar é indicado
O CRMV-PR orienta que a modalidade pode ser particularmente útil em três situações:
- Pacientes com dificuldades de locomoção — animais com ortopedia comprometida, pós-operatórios ou condições neurológicas que tornam o transporte doloroso ou de alto risco.
- Pacientes geriátricos — idosos com múltiplas comorbidades, nos quais o estresse do deslocamento pode agravar o quadro clínico.
- Cuidados paliativos — casos em que o foco é qualidade de vida e o transporte geraria sofrimento desproporcional ao benefício esperado.
Além disso, o atendimento no domicílio permite avaliar o animal em seu ambiente habitual, o que pode revelar fatores ambientais relacionados ao manejo, comportamento ou condições sanitárias do local.
O que pode ser feito no domicílio
O Art. 3º define o escopo do atendimento domiciliar: identificação, anamnese, exame físico, diagnóstico, prescrição, tratamentos, administração de imunobiológicos, emissão de documentos, solicitação de exames complementares, prevenção de doenças, cuidados básicos e orientações gerais.
O Art. 7º permite o uso de sedativos e tranquilizantes — combinados ou não com anestésicos locais — para contenção e realização do atendimento, desde que o veterinário permaneça presente até a completa recuperação do paciente. A fluidoterapia (Art. 8º) também é permitida, mas somente durante a permanência do médico-veterinário no local.
O que é proibido no atendimento domiciliar
O Art. 6º é direto. São vedados no domicílio:
- Procedimento cirúrgico — exceto sutura superficial, coleta de material biológico e drenagem de abscessos
- Anestesia geral — exceto para eutanásia
- Coleta liquórica, de derrames torácicos, pericárdicos e pleurais
- Manipulação e administração de quimioterápicos antineoplásicos injetáveis
- Transfusão de sangue
- Cateterismo profundo (torácico, abdominal, PICC e cateter venoso central)
Nesses casos, o veterinário deve orientar de forma expressa e formal o encaminhamento do paciente a um estabelecimento veterinário (Art. 4º).
Boas práticas e obrigações do profissional
O Art. 9º estabelece que o veterinário deve transportar medicamentos, vacinas e materiais biológicos de forma adequada — com refrigeração quando necessário. Equipamentos e materiais precisam estar limpos, desinfetados e, quando necessário, esterilizados. O profissional também deve dispor de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saúde (PGRSS) e comprovar a destinação ambientalmente adequada dos resíduos gerados (Art. 11).
Documentação e prontuário continuam obrigatórios
O Art. 5º é claro: o médico-veterinário deve efetuar os registros em prontuário físico ou eletrônico, datado e assinado, mantendo-o arquivado nos termos da Resolução CFMV nº 1321/2020. O CRMV pode solicitar prontuários e relatórios a qualquer tempo (Art. 13).
Fazer prontuário no domicílio em papel é possível, mas pouco prático. Um sistema digital acessado pelo celular ou tablet resolve: você preenche durante o atendimento, assina digitalmente e o registro fica na nuvem, vinculado ao histórico do paciente.
O PurpleVet no atendimento domiciliar
Fazer atendimento domiciliar não significa abrir mão da organização clínica. Com o PurpleVet no celular ou tablet, você preenche o prontuário durante a visita, emite a requisição de exames em PDF na hora — já dentro das exigências da Res. CFMV nº 1374/2020 — e assina digitalmente tudo antes de sair da casa do tutor. O histórico fica na nuvem, acessível no retorno ou se o paciente precisar de encaminhamento. Para quem agenda visitas domiciliares com frequência, o PurpleVet se integra ao Google Agenda, mantendo todos os compromissos organizados em um só lugar.
